Rodrigo Maia

Apoio a Baleia ou candidatura própria, uma falsa polêmica

Apoio a Baleia ou candidatura própria, uma falsa polêmica

Entenda porque nem Baleia nem Lira estão do lado do povo

Desde a eleição de Bolsonaro, a principal discussão dos progressistas no país é a composição de frentes amplas para derrotar o bolsonarismo. Essa discussão, tem se tornado um tema tão central no debate que é comum vermos os ditos analistas levantarem a bola de Doria, Moro, Huck, Mandetta e Maia como nomes ilibados para unirem o país contra o bolsonarismo.

Essa conversa vem crescendo como uma bola de neve e levado muita gente a acreditar que esse é o único caminho para 2022. O fim das eleições municipais de 2020 e o quadro de crescimento ou queda dos partidos colocou mais lenha nessa fogueira, mas nada se compara com a eleição para presidente da Câmara Federal que acontecerá em 1º de fevereiro.

A eleição pra presidência da Câmara dos deputados se tornou um ensaio para a eleição da presidência da república em 2022, e o que fica nítido é que querem empurrar uma escolha entre a direita fascista e a direita liberal e relegar a esquerda ou centro esquerda um papel de coadjuvante de todo esse processo.

Maia, uma falsa oposição a Bolsonaro

A afirmação desse intertítulo deve ser o que nos norteia. De fato, que oposição Rodrigo Maia fez a Bolsonaro? E podemos ir além, Doria, Moro, Huck e Mandetta, que estiveram no palanque bolsonarista até um dia desses que oposição fizeram, efetivamente, a esse governo?

Maia votou e aprovou todos os projetos de desmonte do Estado propostos por Bolsonaro, sem vergonha ou constrangimento tocou o projeto bolsonarista com orgulho. Agora, no apagar das luzes de seu mandato de presidente, banca o opositor fazendo críticas no twitter e xingando o presidente. Maia e Bolsonaro são dois lados de uma mesma moeda. A moeda do neoliberalismo entreguista, que ataca direitos sociais e os mais pobres para beneficiar os poderosos empresários.

Lira e Baleia, farinhas do mesmo saco

O deputado Arthur Lira é o candidato de Bolsonaro, porém, é Baleia Rossi, candidato de Maia quem mais votou favoravelmente aos projetos encaminhados por Bolsonaro a Câmara dos Deputados. Querem impor as esquerdas um candidato que sequer defendeu os interesses do povo contra as medidas do presidente nesses últimos dois anos de mandato.

De acordo com um levantamento feito pela consultoria ArkoAdvice, em 2019 Baleia votou a favor do governo em 90,24% das votações e contra em 9,75%. No mesmo ano, Lira votou a favor em 86,29% das vezes e contra em 13,70% das ocasiões. Portanto podemos cravar categoricamente: não há distinção entre Lira e Baleia. Maia sabe disso e apresenta Baleia como seu sucessor numa tentativa de constranger as esquerdas e dar o tom da eleição de 2022.

O que a esquerda deveria fazer? 

Essa é a pergunta do século, e não vale apenas para esse momento, mas diante do cenário nacional e internacional, essa é a pergunta que deve virar o mantra da esquerda: O que devemos fazer?

Antes de mais nada admitir que há uma tentativa de silenciamento e escanteamento do nosso campo por parte da grande mídia e dos liberais e neoliberais. Esses tentam fazer parecer que a culpa do estado bizarro de coisas que vivemos no país é da esquerda e, portanto, apenas eles ou uma aliança ampla e global pode salvar o país.

Não assumem que Bolsonaro e essa política de desmonte do Estado é fruto das ações de todos esses que agora bancam de salvadores da pátria. Temos que denunciar o genocídio de Bolsonaro, mas temos que igualmente denunciar Doria, Moro, Huck, Mandetta e Maia. Temos que denunciar o Estadão e seus colunistas que dias antes da eleição apregoavam o editorial: Uma escolha difícil.

É nosso papel enquanto esquerda permanecer aglutinando militantes e movimentos sociais na defesa da construção de um outro projeto político. Que caminhe ao lado da luta parlamentar, mas que entenda que o jogo de cena do Congresso Nacional é uma falsa dicotomia. Nem Lira e nem Baleia defenderão os interesses do povo quando isso for posto em pauta. Ambos defenderão o grande capital e seu representante.

A esquerda deveria defender outro projeto!

Por isso é necessário que a esquerda ocupe o espaço da candidatura a presidência da mesa diretora da Câmara dos Deputados e dialogue com a população para dizer o que ela defende. Sabemos que o voto para presidente das Casas Legislativas não é direto, são os parlamentares eleitos que elegem, entre seus pares, quem conduzirá o trabalho daquela instituição. Porém, ao ocupar um espaço entre as candidaturas postas, a esquerda conseguirá mais uma vez mostrar que defende um outro projeto.

A despeito disso, é necessário ressaltar que a eleição para a Câmara dos Deputados acontece em dois turnos, portanto ainda que, por hora, não tenhamos uma candidatura competitiva e com possibilidade de vitória, a eleição será decidida apenas no segundo turno, momento sim que podemos apoiar ou dar o voto crítico ao candidato que representa uma oposição maior ao bolsonarismo.

A esquerda deve apresentar o seu candidato, mostrar a sua cara o seu programa. Debater pra dentro e pra fora do parlamento a importância de frearmos o bolsonarismo, mas não para cair no canto da sereia do liberal moderado e sim, para caminharmos para um outro projeto social de país.

Toninho Vespoli

Toninho Vespoli

Toninho Vespoli é Professor e Vereador pelo PSOL em São Paulo.

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A Constituição não é circo. Bozo e Maia tem que parar com isso!

A Constituição não é circo. Bozo e Maia tem que parar com isso!

Entenda porque tanto aliados do Maia como do Bozo no Supremo estão errados!

Estão debatendo no Supremo Tribunal Federal a possibilidade de reeleição para cargos das Mesas legislativas (como o cargo de Presidente da Câmara e do Senado). O STF deveria ser guardião da Constituição. Quem diz isso é a própria Constituição Federal! Agora, Ministros do Supremo aliados do Rodrigo Maia,  atual presidente da Câmara dos deputados, e do Bolsonaro, estão se digladiando para passar por cima do texto constitucional. Os dois estão errados! Bolsonaro quer dar um jeitinho para permitir a reeleição de Alcolumbre, atual presidente do Senado e aliado da base governista. Já aliados do Maia querem dar um jeitinho para liberar geral de se reeleger. A Constituição simplesmente não permite reeleição para cargos internos do legislativo em uma mesma legislatura. Os dois lados estão errados nessa história: a Constituição não é circo. Bozo e Maia tem que parar com isso!

Os contorcionismos jurídicos propostos seriam cômicos se não fosse trágicos. Gilmar Mendes alega, dessa vez, não querer “interferir politicamente” em decisões do legislativo (risadas). Dessa maneira defende, basicamente, que o legislativo pode passar por cima da Constituição e decidir pela reeleição. Só que aí ele entra em contradição com ele próprio e defende o limite de uma reeleição para cargos de mesa. (Pera, não era para ser uma decisão do Legislativo?) Não contente ele ainda fabrica um limite de seu limite ao dizer que a regra de apenas uma reeleição só deve começar a valer a partir da próxima legislatura. Isso tudo porque? Para permitir que Maia, que já está no cargo pela segunda eleição consecutiva, se assim quiser, se reeleja presidente da Câmara dos Deputados.

Tribunal de Bozos e palhaços

Mas se Ministros alinhados com o Centrão do Congresso, como o Gilmar Mendes, fazem contorcionismos bizarros, o Ministro Kássio Nunes Marques leal, servo indicado pelo Bolsonaro, faz justiça ao apelido do Bozo propondo palhaçadas no Supremo. Ele também entende que a reeleição deveria ser permitida uma vez, porém acha que a medida tem que entrar em vigor imediato. Por defender a Constituição? Não inocente, por querer que o Acolumbre (ainda na sua primeira eleição) possa se reeleger, mas deixando o Rodrigo Maia (“inimigo” do Bozo) de fora da bonança.

Do ponto de vista jurídico nada disso faz o menor sentido! A Constituição é extremamente clara em seu Artigo 57 Parágrafo 4º: “Cada uma das Casas reunir-se-á em sessões preparatórias, a partir de 1º de fevereiro, no primeiro ano da legislatura, para a posse de seus membros e eleição das respectivas Mesas, para mandato de 2 (dois) anos, vedada a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subsequente“. Não dava para ser mais explícito do que isso. Não pode reeleição em uma mesma legislatura pra Presidente nem da Câmara e nem do Senado. Ponto Final. Se alguém pensa de forma diferente, a única coisa a se fazer é propor uma PEC (Projeto de Emenda a Constituição) mudando o texto constitucional. Do contrário o Supremo, ao invés de ser guardião da Constituição, estará agindo como o seu fiador político, distorcendo-a e retorcendo-a conforme gostos pessoais. A Constituição não é circo. Bozo e Maia tem que parar com isso!

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira é jornalista, ativista e militante do Partido Socialismo e Liberdade. Atualmente estuda Direito e compõe Mandato Popular do Professor Vereador Toninho Vespoli.

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