Sapopemba

Dinheiro dos impostos: em que o Prefeito gastou?

Orçamento das subprefeituras

Maioria das subprefeituras de São Paulo não cumpriu orçamento de 2022.

O que você vai encontrar:

  • Para que servem as subprefeituras?
  • A subprefeitura mais prejudicada
  • A resposta da Prefeitura

Segundo levantamento da Agência Mural nos dados abertos da Prefeitura de São Paulo, 24 subprefeituras gastaram menos do que o planejado no orçamento para 2022. Onde foi parar esse dinheiro?

Para que servem as subprefeituras?

Criadas em 2002 pela gestão Marta Suplicy (ex-PT), as subprefeituras tinham o intuito de descentralizar a administração da cidade. No entanto, sua função real acabou sendo o estabelecimento de uma base de apoio parlamentar, deixando de lado o potencial de democratização e participação direta do povo na gestão municipal.

Nos últimos anos, sob Bruno Covas (PSDB) e Ricardo Nunes (MDB), essas administrações locais fazem apenas serviços básicos de zeladoria. E ainda mesmo nessas áreas, por vezes, aparecem falhas, como indica a execução orçamentária de 2022.

A subprefeitura mais prejudicada

A Subprefeitura de Sapopemba foi a última a ser criada na cidade, em 2013, quando se separou do distrito da Vila Prudente. Dos R$ 45,8 milhões previstos para 2022, a subprefeitura realizou apenas R$ 26,8 milhões.

Orçamento das Subprefeituras

Falhas e buracos. Para intervenção, urbanização e melhoria de bairros foram orçados R$ 5,3 milhões; gastos R$ 1,5 milhão (20%).

Sapopemba é a região da capital com menor cobertura vegetal por habitante. De acordo com o Mapa da Desigualdade de 2019, da Rede Nossa São Paulo, Sapopemba tem 2,65m² de verde por morador. A Organização Mundial da Saúde recomenda 12m².

A subprefeitura de Sapopemba teve R$ 8,8 milhões orçados para a manutenção e operação de áreas verdes e gastou R$ 4,9 milhões (55%).

A resposta da Prefeitura

Em resposta a Agência Mural que fez esse levantamento, a Prefeitura justifica a diferença entre o prometido e o executado dizendo que o investimento regional também vem através das secretarias municipais, como de saúde e educação.

Esse conflito orçamentário acontece desde o surgimento das subprefeituras. As secretarias tem receio de perder o controle do orçamento para as administrações regionais, e travam o debate sobre um orçamento com mais participação direta, para além dos trabalhos de zeladoria e recapeamento. 

Sapopemba, história do descaso com a memória

A importância da toponímia, ou seja, o estudo dos nomes próprios das localidades, nos ajuda a compreender e conhecer episódios da História, características físico-geográficas de uma região, identificação de crenças mítico-religiosas ou seja, diferentes campos do saber: Linguística, História, Geografia, Antropologia, entre outros.

No entanto, todos esses aspectos não são respeitados em Sapopemba. O bairro e o local natalício que seria na altura do número 7800 da avenida de mesmo nome, tem
sua origem ainda no século XIX, fruto do desmembramento da antiga fazenda da Família Pedroso, que por sinal tem descendentes no local e que atraiu gente de todo canto, seja do Brasil ou estrangeiros.

A formação do bairro tem seu início rural e aos poucos, com o desmembramento da antiga fazenda,surgem pequenas chácaras de verduras e nas margens da avenida também era possível ver pomares de caquis. Levas de portugueses, italianos, espanhóis germânicos e eslavos contribuíram para o desenvolvimento, bem como nordestinos e mineiros.

A comunidade portuguesa se destacava com a grande festa em louvor a Nossa Senhora de Fátima que tomava a avenida e circundava o quarteirão da igreja. Quando chegava o mês de maio, carroças com animais para leilão levantavam poeira pela avenida, que na época era apenas um trilho de terra.

Antes da chegada da imagem da santa padroeira, por volta de 1931, já havia a devoção a São Roque, cuja capela existiu até 2015__ vale lembrar que São Paulo passou pela Gripe Espanhola (1918/1920) e que são Roque é um santo invocado contra moléstias e pragas – e agora no lugar resta uma garagem. Triste perda da memória arquitetônica.

Por tudo isso, pela história e memória, a toponímia precisa e deve ser respeitada, porém a Prefeitura e o Governo do Estado não reconhecem o valor deste elemento linguístico, muito menos o que ela representa para os moradores de Sapopemba. A isso soma-se a questão do uso propositalmente equivocado dos topônimos pois os maiores equipamentos públicos levam o nome do bairro, mas encontram-se espalhados em diversas áreas do Distrito, causando confusão geográfica de localização do bairro, que existe desde antes do distrito – a oficialização do bairro consta de 1910 e o Distrito de 1985.

Esse equívoco causa um grande prejuízo para os habitantes que moram na área do Sapopemba original, por volta do número 7800 da avenida, pois tanto o poder público como o mercado imobiliário designam como Sapopemba a região na altura do número 11.000 da Avenida Sapopemba e, por isso todo o pouco recurso do Distrito acaba sendo destinado para aquela região – que de fato necessitam – mas enquanto uns têm carências de investimento público há 30/50 anos (as áreas de ocupação mais recente que hoje são chamadas de Sapopemba) outros têm carências desses investimentos há 110 anos (o local que de fato é o Sapopemba, original).

A especulação imobiliária é extremamente preocupante pois ao empurrar o nome do bairro para as fronteiras com São Mateus cria “zonas fantasmas” – somem bairros e surgem outros no lugar de acordo com o interesse especulativo, ou seja, com o deslocamento do nome do bairro mais pra frente a região onde nasceu Sapopemba pode virar Nova Vila Ema, Nova Vila Formosa ou Nova Aricanduva com o intuito de supervalorizar o metro quadrado com futuros condomínios pois o nome Sapopemba não é atrativo, tornando assim o custo de vida mais caro, afastando os autênticos moradores.

Carlos Alberto Ribeiro

Carlos Alberto Ribeiro

Morador de Sapopemba há 46 anos e pós-graduado em Gestão Mercadológica do Turismo pela USP. Sua família está em Sapopemha há mais de 60 anos.

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