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Porque achamos que o questionário escolar deveria ser adiado

Porque achamos que o questionário escolar deveria ser adiado

Entenda porque não é momento de preencher os Indicadores de Qualidade da Educação Infantil Paulistana

Foram anos de diálogo com profissionais da educação, famílias, e alunos para chegar nos Indicadores de Qualidade da Educação Infantil Paulistana. A proposta é mapear as necessidades particulares de cada escola, permitindo maior amparo pelo município. Os indicadores surgiram para ser uma ferramenta a favor da educação. Mas segundo profissionais da educação, o Fernando Padula, Secretário Municipal da Educação, utiliza os indicadores de forma irresponsável. Em um momento de pandemia do coronavírus, após quase dois anos sem a maioria das crianças entrarem em salas de aula, os indicadores podem ser utilizados como coação para o retorno antecipado das aulas presenciais.

Os Indicadores de Qualidade são fundamentais para o acompanhamento da educação municipal. A partir dessa conquista a comunidade escolar passou a ter mais voz dentro das unidades. Problemas como falta de infraestrutura, questões de segurança particulares de cada unidade de ensino, e mesmo as estratégias de interação entre corpo docente e famílias, podem ser comunicadas no relatório. A Secretaria tem, então, a função de analisar os apontamentos e pensar em estratégias a fim de tornar o ensino público cada vez melhor. É esta a função dos indicadores: permitir análise do curso escolar no ano anterior, e estabelecer demandas práticas para melhorar o ensino nos próximos anos.

Em tempos de pandemia, de acordo com professores, famílias, os indicadores perdem o sentido. “Não vejo sentido nos indicadores neste momento. Por exemplo o meu filho, foi matriculado no berçário mas nunca frequentou. Como estou em teletrabalho, eu consigo ficar com ele em casa. Eu não quero que ele frequente [a escola] enquanto estivermos no auge da pandemia. Eu não vejo sentido [no questionário]” disse em entrevista Luciana Santoni, mãe de criança pequena. Assim como vários outros familiares de crianças, Luciana não vê sentido em preencher um questionário feito para avaliar a situação de alunos em regime presencial.

Muitas das perguntas do questionário perdem completamente o sentido no contexto de uma pandemia

(imagem: print de perguntas que fazem pouco sentido no contexto vivido)

O envio do questionário, na opinião da professora de educação infantil Luciana Xavier, pode induzir mães e pais a enviarem as crianças para aulas presenciais antes de ser seguro. “enviar o questionário agora deixa a família em uma situação sensível ao que de fato ela poderia contribuir, pois os indicadores foi um ganho muito grande para a comunidade escolar, no que se refere ao ato participativo de entender e tentar melhorar os Espaços da educação infantil”

Em outro sentido, problemas escolares recentes, tanto ligados à pandemia quanto a ideias polêmicas da gestão do Secretário Municipal da Educação Fernando Padula, não foram sanados pela administração pública. É o que revela Daniela Porto, moradora da zona leste e mãe de duas crianças: “Eles estão tentando fazer as coisas de uma forma que está complicando mais ainda a vida da gente. Eu estou com duas crianças em casa, estou trabalhando de casa, está uma confusão. Daí eu fui ver: foi feito um cartão alimentação, e houve toda aquela demora para entrega; os tablets para as crianças estudarem até hoje ninguém recebeu; disponibilizaram em abril um aplicativo para cadastro e compra do material escolar, mas as aulas começaram em fevereiro; criaram um aplicativo para compra de uniformes. O lugar que tem disponível para comprar é lá no Capão Redondo [ela mora na zona leste]. Eu ainda, graças a Deus, tenho alguma facilidade com aplicativos, internet, essas coisas. E os familiares que não têm?!”. 

Conforme revela a fala, a prefeitura negligencia canais efetivos para a aquisição de bens e serviços, em teoria fundamentais para o ensino à distância, como “vale merenda”, em substituição à merenda escolar; e os tablets, promessa do secretário da educação Fernando Padula. Além destes serviços, outras dificuldades são criadas em razão das escolhas políticas da administração municipal. O prefeito insistiu em substituir, por exemplo, o sistema de compra e distribuição públicas de uniformes escolares, por um sistema de “vouchers”, em que as famílias devem comprar os uniformes com um valor cedido pela prefeitura. Em meio a problemas tão graves e tão novos, surpreende que a prefeitura insista em movimentar recursos para o envio dos questionários. Enquanto isso, os desafios apenas se acumulam. Famílias que não desejam colocar suas crianças em risco durante a pandemia, são forçados a conciliar trabalho e convívio constante com as crianças. Para ajudar essas famílias a prefeitura faz pouco.

Razões como as mencionadas balizaram o pensamento do Vereador Toninho Vespoli. Em face da nova realidade que as famílias paulistanas vivem, Toninho acredita que os indicadores devem ser adiados. Para ele não basta que a administração pública diga ser mero documento institucional de autoavaliação participativa. Os Indicadores são, muito mais, uma conquista para toda a Rede Municipal. A ideia seria que o preenchimento fosse feito pelos familiares em conjunto com a comunidade escolar ao longo de dias de reflexão. E não por cada familiar isolado, ainda mais em um momento tão atípico. O que está sendo tentado é uma instrumentalização dos indicadores para outros fins. Mais um ataque neste momento histórico, contra o qual Toninho Vespoli irá resistir. 

Dicas de Legislação – tablets para estudantes (Instrução Normativa nº10/21)

Dicas de Legislação - tablets para estudantes (Instrução Normativa nº10/21)

Está sabendo sobre como devem funcionar a entrega de tablets para estudantes da rede pública? Confira aqui e não seja enganado pela prefeitura:

A Instrução Normativa nº 10/21 que dispõe sobre as diretrizes para distribuição de tablets aos estudantes traz em seu conteúdo algumas informações bem importantes:
– Os equipamentos deverão ser entregues em até 72h após a configuração;
– Os equipamentos devem ser incorporados como bens materiais das escolas;
– As famílias deverão assinar comodato, devolver em caso de transferência e ao final do ano; caso não queiram o empréstimo dos equipamentos deverão garantir o acesso às atividades online.
– Em caso de perda ou roubo a família deverá fazer boletim de ocorrência e entregar na escola;

Os tablets foram prometidos há um ano pela prefeitura de São Paulo e só estão chegando nas unidades por pressão do movimento de greve pela vida. É mais uma demonstração de que a luta vale a pena e que disponibilizar equipamentos tecnológicos neste momento de descontrole da pandemia é imprescindível por não haver perspectiva de vacinação para toda a população, em especial o público atendido pelas escolas municipais e condições estruturais e de recursos humanos que inviabilizam o cumprimento de qualquer protocolo de segurança que pretenda a preservação de vidas.

TCM suspeita de compra de Covas

TCM suspeita de compra de Covas

Entenda o que está por trás da compra milionária de Bruno Covas!

Há cerca de um mês a prefeitura de São Paulo anunciou uma gigantesca compra de tablets para estudantes do Ensino Fundamental, Médio e Educação de Jovens e Adultos da rede municipal. Nenhuma novidade em ano eleitoral que costuma vir cheio de ideias mirabolantes quando se tem dinheiro em caixa por ter “economizado” em algo que não se deve: Educação.

A princípio anunciar esse tipo de aquisição de quase meio milhão de equipamentos após mais de 5 meses de pandemia e nenhum tipo de ação nesse sentido como liberar wifi das escolas para a comunidade, aquisição de chips para os estudantes ou até mesmo liberação de equipamentos aos servidores em teletrabalho surpreende pela morosidade. Mas não é uma ideia de todo ruim!

Pensando na prática deste governo em fazer anúncios pela mídia sem antes dialogar com a categoria, entidades representativas e até mesmo com a Comissão de Educação da Câmara Municipal, resolvemos enviar um documento para a Secretaria Municipal de Educação.

A solicitação de informações pontuava sobre os aplicativos com fins pedagógicos do dispositivo, dados pessoais dos estudantes, armazenamento de dados, custos, controle auditável, responsabilidade pelo comodato dos tablets, conselhos populares participativos relativamente à adoção de tecnologias no âmbito do município e contemplação dos alunos do MOVA.

Não há cálculos apresentados!

Também preocupado com essa questão, o Tribunal de Contas do Município fez um relatório preliminar de acompanhamento de edital para verificar a regularidade do mesmo.
Após exame realizado concluíram que o pregão não reúne condições para prosseguimento. Dentre os argumentos, não está previsto no plano diretor, não há prazo inicial para ofertar o objeto, não tem a especificação da necessidade da memória e aplicativos, não há no edital a previsão de solução, uma vez constatado pelo usuário, de problema técnico no equipamento relacionado ao seu uso, não há película de proteção e o mais grave, é preciso que a SME embase a justificativa pela opção de aquisição dos equipamentos por meio de estudos ou cálculos.

Ora, não é de se espantar que itens básicos como os citados não estejam contemplados, uma vez que este governo tenha como premissa a questão de terceirizar responsabilidades e apoiar seus parceiros empresários em detrimento do interesse público.

A contradição da gestão do PSDB é tão grande que num momento dizem não ter dinheiro para coisas básicas como alimentação para todos e em outro surgem 180 milhões para comprar tablets simples faltando menos de 2 meses para as eleições municipais e final do ano letivo. Parece até mágica! E como não tem previsão para entrega inicial, também serve como propaganda.

A mão amiga de empresários…

É importante salientar que a Educação básica é presencial, porém todo recurso que possa amparar as TICs ( tecnologias de informação e comunicação) são bem-vindos, aliás, poderiam começar com a tecnologia assistiva que não é garantida na rede. Mas é preciso que se faça tudo com transparência e responsabilidade e não como uma mão amiga ao empresariado em época de eleições.

Sem qualidade nos equipamentos e sem assistência, para dizer o mínimo, tais objetos podem se tornar obsoletos antes mesmo de atingirem a todos os estudantes e servirem apenas como desperdício de recurso público e propaganda política.

Vivian Alves Nunes

Vivian Alves Nunes

Vivian Alves é diretora de escola na Rede Municipal de Educação, historiadora, pedagoga e ativista. Atualmente faz parte da caravana da educação do Professor Vereador Toninho Vespoli.

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