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O Massacre de Gaza

O Massacre de Gaza

Entenda porque Gaza está sendo mais uma vez atacada pelo exército israelense

A situação hoje em Gaza não é diferente do que ocorreu repetidas vezes no passado: quando os ventos políticos internacionais indicam uma situação potencialmente favorável a negociações de paz em favor do povo palestino, os israelenses intensificam as provocações, agressões e execuções, a fim de forçar ações de autodefesa. Em seguida, ativam lobbys políticos e midiáticos internacionais com o objetivo de pintar a defesa dos palestinos como “ação terrorista” e justificar ataques muito mais brutais. No caso, as vítimas do estratagema são a população palestina da Faixa de Gaza. Entenda sobre as vítimas do massacre de Gaza

Os números contam toda a história: os foguetes ultrapassados da década de 80 lançados por palestinos mataram 12 israelenses. Os bombardeios israelenses, até o momento, mataram 243 palestinos! Não é uma guerra, é um massacre!

Quem são os terroristas?

Esqueça tudo o que você deve ter ouvido sobre o “terrorismo palestino”. A realidade do atual massacre é bastante distinta. Acontece que recentemente houve uma relativa mudança na visão internacional sobre o que acontece na Faixa de Gaza. Grupos de ativistas, ao redor do mundo, se organizaram, se articularam com políticos e influenciaram o que se escreve nos jornais em denúncia aos ataques e mentiras perpetuados pelos israelenses. As vitórias foram limitadas, porém relevantes: se por um lado permanece, ainda, uma ideia deturpada de que “os dois lados seriam hostis”, por outro, pelo menos, o mundo se viu, pela primeira vez desde 1948, disposto a criticar as ações truculentas e assassinas de Israel.

Ao invés de aceitarem as pressões por negociações vindas de grupos palestinos e de parte da comunidade internacional, os israelenses preferiram jogar um jogo antigo, repetido na última vez em 2006: acirraram as provocações contra o povo palestino. O objetivo óbvio era causar uma resposta, uma reação palestina, em princípio bastante legítima e apoiada pela legislação internacional. As próprias Convenções de Genebra reconhecem que um país anexar ilegalmente terras, ou manter forças armadas contra outro país deve ser visto como um ato de guerra. Se o México (país fronteiriço ao sul dos Estados Unidos) tentasse anexar o Texas enquanto enviam forças armadas para depredar patrimônio histórico, cultural e religioso dos Estados Unidos, haveria reação certeira. E ninguém iria estranhar. É exatamente isso que aconteceu na Faixa de Gaza: os israelenses, após décadas de roubar terras, reconhecidas como pertencente ao povo palestino, atacaram e demoliram os templos religiosos palestinos Al-Aqsa em Jerusalem, além de destroirem a aldeia palestina de al-Araqib pela 184ª vez! E este foi o estopim que desencadeou o massacre de Gaza atual.

Os palestinos tentam se defender contra o massacre de Gaza

A humilhação foi grande demais. Compreensivelmente lideranças da faixa de Gaza lançaram foguetes ultrapassados da década de 80 (único arsenal disponível) contra os israelenses. Os ataques foram pouco letais, e tiveram muito mais o objetivo de chamar a atenção internacional do que causar danos aos israelenses. A grande maioria dos foguetes foi rebatida por um sofisticado aparato militar de mísseis antibalísticos financiado pelos Estados Unidos. O contra-ataque foi brutal: caças aéreos, também financiados com dinheiro do Uncle Sam, bombardearam o território de Gaza. Segundo a retórica oficial israelense, eles estariam apenas se “defendendo de terroristas”. 

Até o momento, os ataques israelenses mataram 243 pessoas, sendo 66 crianças. percebam, não é uma guerra, e sim o massacre de Gaza! Além das mortes, alguns dos ataques foram direcionados contra peças importantes de infraestrutura, como centrais de telecomunicações, hospitais e escolas. O objetivo é garantir uma situação de pobreza e caos humanitário na Faixa de Gaza. 

O pensador Noam Chomsky captura bem o absurdo da retórica israelense quando escreve, como se assumindo a fala irônica de um personagem palestino “vocês pegam a minha água, queimam nossas oliveiras, destroem minha casa, tomam o meu trabalho, roubam minha terra, prendem o meu pai, matam minha mãe, bombardeiam meu país, nos causam fome, e nos humilham, mas sou eu que devo ser culpado. Eu atirei um foguete”.

O jogo de propagandas

A expectativa dos israelenses provavelmente era a de uma repetição do que ocorreu em 2006, quando a última rodada de provocações e ataques ocorreu. Isto é, de que o lobby israelense seria capaz de distorcer os eventos, vendendo uma imagem de país “civilizado”, em meio aos “bárbaros terroristas” palestinos. Felizmente graças à ação organizada de ativistas palestinos ao redor do mundo, a verdade, dessa vez, encontra alguma representação dentro das mídias tradicionais. São milhares de refugiados palestinos, forçados para longe de suas casas, sem contanto esquecerem de onde vieram. Com parcos recursos, se organizaram em defesa de suas terras, ecoando o coro por uma “Palestina Livre”. 

Por enquanto tiveram uma pequena vitória: a pressão internacional, conquistada graças ao ativismo palestino, foi suficiente para forçar um cessar fogo pelas tropas israelenses. Mas ainda há muito pelo que lutar. Os Estados Unidos continuam dando anualmente 3,8 bilhões de dólares para Israel apenas para o programa militar, as ocupações ilegais israelenses em território palestino continuam adentrando para além de quaisquer acordos, e os refugiados palestinos continuam sem ser reconhecidos como tais. Muitos permanecem cidadãos apátridas, sem casa, sem nação. Mas, ao menos dessa vez, a narrativa israelense encontra suas rachaduras. Mesmo jornais historicamente favoráveis à narrativa israelense, como o estadunidense The New York Times, admitiram os horrores vivenciados pelos palestinos vítimas dos ataques.

O importante é entender que a sua opinião importa. O que se joga é um jogo de propaganda. Os jogadores são um etnoestado, interessado em matar e expulsar toda a população nativa, e uma população lutando pelo direito de honrar as terras de seus antepassados. Cabe a você decidir de que lado você está: no dos terroristas, ou no dos que estão apenas se defendendo? 

As opiniões presentes no texto não necessariamente refletem as opiniões do Vereador Toninho Vespoli

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira

Gabriel Junqueira é jornalista, ativista e militante do Partido Socialismo e Liberdade. Atualmente estuda Direito e compõe Mandato Popular do Professor Vereador Toninho Vespoli.

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E quando invadirem Brasília?!

E quando invadirem Brasília?!

Entenda porque a invasão do Congresso estadunidense pode por a democracia brasileira em jogo

Como todos sabem, esse dia 6 de janeiro terroristas armados invadiram o Congresso dos Estados Unidos. O objetivo era dar um golpe no país, e tornar Donald Trump, derrotado nas urnas, um ditador. Os terroristas – até agora – não tiveram sucesso. É provável que as instituições do país sejam, ao menos, suficientes para impedir algum desastre dessa magnitude. Mas preocupa bastante pensar que o Bolsonaro se espelha no Trump. Em 2022, quando Bolsonaro perder as eleições presidenciais, há risco real de ele tentar fazer o mesmo. Mas aqui ele contaria com apoio de milícias ligadas ao tráfico de drogas, além de grandes partes das polícias militares. E quando invadirem Brasília?! O risco de um golpe é real! não podemos abaixar a guarda e deixar para agir só em 2022! Bolsonaro precisa ser afastado. E isso precisa ser feito rápido!

Os terroristas dos Estados Unidos estavam armados, e preparados para a guerra. Foi um milagre terem morrido apenas 4 pessoas. Os manifestantes chegaram a tentar ameaçar e agredir deputados da oposição (além do próprio vice presidente de Trump, o Mike Pence). De dentro do salão em que ocorrem as votações do Congresso, seguranças chegaram a usar mesa para barrar a entrada na porta, enquanto se preparavam para reagir em caso dos terroristas armados a arrombarem. A intenção do protesto era clara: negar os resultados das últimas eleições e tornar Trump um ditador. Grande é o contraste com as manifestações pacíficas e organizadas da esquerda. No caso da direita, vários manifestantes estavam armados. O objetivo não era pressionar os políticos, mas ameaça-los de morte. Apenas porque não gostaram dos resultados das eleições, que revelaram Trump como o perdedor.

Trump incitou os terroristas!

Minutos antes da invasão acontecer, Trump fez discursos incitando os manifestantes. “Vocês têm que mostrar força e têm que ser fortes. Viemos exigir que o Congresso faça a coisa certa e conte apenas os eleitores que ‘votaram legalmente. Que votaram legalmente’ (sic.) Eu sei que todos aqui logo estarão marchando para o edifício do Capitólio” Para além do tom agressivo, é importante atenção ao contexto: Trump passou as semanas anteriores negando os resultados das eleições presidenciais, dizendo que ele teria ganho e que, na verdade, deveria ser o presidente. Obviamente é tudo mentira. E no contexto as mentiras escalaram para uma marcha violenta com o objetivo de fazer de Trump um ditador!

Tradução do tweet: "é isso que acontece quando eleições sagradas, ganhas de lavada, são arrancadas de grandes patriotas que foram tão mal e injustamente tratados por tanto tempo. vão para casa com amor e paz. Lembrem-se desse dia para sempre!"

Mesmo sem superestimar o valor da “democracia” liberal-burguesa que reina nos Estados Unidos, o evento é preocupante por si só. Há, ao menos em teoria (mesmo que na prática de forma bastante limitada) um pressuposto de que as instituições do país devam ser controladas pelo povo. Um ditador assumir seria o fim dos poucos aspectos democráticos no país, e teria consequências políticas e econômicas globais.

No Brasil o caso é ainda mais grave!

Mas o Brasil tem algo mais a temer: a saúde de suas próprias instituições democráticas. E quando invadirem Brasília?! Não é segredo algum que Bolsonaro gostaria de dar um golpe e assumir como ditador. Já afirmou, em mais de uma ocasião, ser favorável a um golpe e admirador da ditadora militar brasileira. Também não há dúvidas de que Bolsonaro se espelhe nas ações de Donald Trump (o seu ídolo). Bolsonaro chegou a bater continência à bandeira dos Estados Unidos, em forma, na verdade, de homenagem a Trump.

Mas aqui a situação seria ainda mais grave que nos EUA. E quando invadirem Brasília?! Não apenas nossas instituições democráticas são ainda mais frágeis que as de lá, como aqui o Bolsonaro já conta com apoio expresso de milícias armadas, muitas delas ligadas ao tráfico de drogas armas e pessoas. Mais que isso, Bolsonaro conta com o apoio do exército e das polícias militares do Brasil. Mobilizações recentes de sua base no Congresso para diminuir o controle civil das polícias militares podem ser vistas como preparo dele para um golpe em 2022.

Nós não podemos nos dar ao luxo de esperar até lá! Não podemos ficar quietos enquanto um fascista conspira um golpe contra o povo, a república, a democracia e a justiça! É importante agirmos agora! O caminho que devemos tomar é prosseguir com o impeachment de Bolsonaro o quanto antes, e cortar logo a cabeça da cobra do fascismo! Se não agirmos rápido, 2022 pode se tornar 1964!

As opiniões presentes no texto não necessariamente refletem as opiniões do Vereador Toninho Vespoli

Gabriel Junqueira

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Gabriel Junqueira é jornalista, ativista e militante do Partido Socialismo e Liberdade. Atualmente estuda Direito e compõe Mandato Popular do Professor Vereador Toninho Vespoli.

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