Um pouco da História da Educação Infantil no Brasil a partir da segunda metade do século XX

Entenda através da história porque a educação é importante!

Após o gradativo processo de industrialização e modernização de maquinário brasileiro alcançado nas décadas de 1950-1960, o Brasil começou a passar por uma estagnação econômica devido à inflação e as dívidas conquistadas pelo governo. As mulheres passaram a fazer parte do mercado de trabalho com mais força, conquistando cada vez mais espaço devido à necessidade de se complementar a renda familiar.

Com essa nova perspectiva, as crianças pequenas não tinham com quem ficar, surgiram então as “mães mercenárias”, que cuidavam de várias crianças juntas, para suas mães trabalharem fora.

Foi nesse contexto que surgiram as primeiras creches e pré-escolas. No começo elas eram filantrópicas ou mantidas pelos próprios usuários e, somente mais tarde, elas se tornaram públicas.

A partir de 1970, a entrada de mulheres no mercado de trabalho aumentou consideravelmente, o que resultou num crescimento significativo de creches e pré-escolas. Uma nova ênfase começou a ser dada ao trabalho nestas instituições.

Buscou-se uma compensação não só das carências orgânicas, como também uma carência de ordem cultural. O pressuposto nesta visão compensatória da educação era de que o atendimento pré-escolar poderia remediar as carências das crianças mais pobres. Tal carência era decorrência de toda a política educacional do país pré década de 1970 que excluía grande parte da sociedade na educação.

As propostas de trabalho foram direcionadas para as crianças de baixa renda, estimulando-as precocemente e preparando-as para a alfabetização, como forma de superar as condições sociais em que viviam.

Com o aumento da demanda por pré-escolas, a educação infantil passou por um processo de municipalização. O caráter da educação agora não era mais assistencialista ou compensatório, mas a pré-escola tinha uma função educativa.

Muitos educadores da época discutiram o papel das creches e pré-escolas e elaboraram novas programações pedagógicas visando o desenvolvimento cognitivo e lingüístico.

Em 1988, com a promulgação da Constituição Federal em vigência, a educação foi reconhecida como um direito de todas as crianças e um dever do Estado. Houve uma expansão do número de escolas e uma melhoria na formação dos profissionais.

Aos poucos o desenvolvimento educacional da criança na primeira infância passou a ser considerado essencial para o bom desenvolvimento do ser humano.

Através de estudos descobriu-se que é nos primeiros anos de vida que a criança grava mais profundamente as situações, acontecimentos  e isso irá interferir no modo de ser, na personalidade e na formação como adulto e como cidadão.

A partir do início dos anos 2000 a concepção de Educação Infantil foi sistematizada por meio de documentação federal enfatizando que a criança não é um “vir a ser”, é um sujeito agora, sujeito com direitos, inclusive direito a ter um espaço pensado para a idade dela e suas especificidades que vão além do cuidar. Atrela a socialização e a aprendizagem, a partir da interação com o meio, novas vivências, conhecimento de mundo e sobre o que a cultura já sistematizou sobre ele.

Conhecer um pouco da História da Educação Infantil ajuda a refletir sobre a grandiosidade da sua importância e necessidade de defendê-la como direito de todos, parte integrante da Educação, com estrutura adequada e repertório para que os sujeitos possam intervir na realidade.

Dicas para refletir um pouco mais sobre o assunto:

BONDIOL,. Anna (org). O tempo no cotidiano infantil: perspectivas de pesquisa e estudo de casos. São Paulo: Cortez, 2004.

FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1974.

Educação Infantil – Concepções de Criança, Creche e Pré-Escola, disponível em https://www.youtube.com/watch?v=RKpu_7qcK1s

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